segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Organismo pede protagonismo do Estado brasileiro na recuperação do Haiti

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) pediu, em nota, que o governo brasileiro coordene campanha internacional para a imediata reconstrução do Haiti em suas bases sociais. Só assim os haitianos poderão escolher entre migrar ou ficar no seu país com dignidade humana.

Milhares de haitianos são forçados a migrar para fugir da pobreza, aponta o SPM, lembrando que o Haiti foi expropriado, historicamente, pelo sistema colonial, inviabilizando o desenvolvimento socioeconômico que possibilitasse vida e trabalho dignos à população.

A situação agravou-se com o terremoto destruiu parte do país em janeiro de 2010, atingindo cerca de 3,5 milhões (cerca de um terço) da população. “Dois anos após o anúncio da ajuda humanitária internacional, muito pouco da infraestrutura social do Haiti foi recuperada”, arrola o SPM.

A organização ligada à Igreja Católica lamenta essa lentidão, quando Estados Unidos e Japão, que passaram por catástrofes naturais violentas, já se recuperaram. “A lentidão da ajuda humanitária ao Haiti estaria relacionada à negritude de seu povo? Discriminação internacional?” – indaga a nota do SPM.

Na semana passada, o Estado brasileiro decidiu restringir o ingresso de haitianos a 1,2 mil pessoas por ano. Estima-se que cerca de oito mil haitianos e haitianas já se refugiaram no Brasil. O governo pretendia, com essa restrição, inibir a ação dos “coites”. A viagem dos haitianos, passando pela República Dominicana, Panamá, Equador, Peru para chegar a Tabatinga e Basiléia, na fronteira brasileira, custa em torno de 4 mil dólares por cabeça.

Na fronteira brasileira, haitianos aguardam a concessão do “Pedido de Visto de Refugiado” para, depois, se encaminharem a outras capitais do país. O SPM lamenta, no entanto, que o Brasil não tenha definido com clareza os critérios para a concessão dos vistos, desconsiderando que a restrição à imigração implica a intensificação da entrada de indocumentados.

Irmãs e irmãos das congregações scalabrinianas e a Pastoral dos Migrantes procura acolher esses imigrantes, proporcionando-lhes casa, alimentos, remédios, cursos de português e cursos profissionalizantes, para que possam assumir postos de trabalho no Amazonas, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e até no Rio Grande do Sul, Estado mais distante do ponto de ingresso dos haitianos.

Fonte: ALC (30.01.2012)

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