No período de dez anos, de 1967 a 1977, quando da construção da BR 174, que liga Manaus a Boa Vista, os Waimiri-Atroari, ou o povo Kiñá, foram vítimas de “uma guerra relâmpago” no período militar. Na resistência contra a invasão de seu território, foram mortos em torno de 2 mil indígenas dessa nação.
“Em junho de 1985, sentado em companhia de dois Waimiri-Atroari na calçada em frente ao prédio da Fundação Nacional do Índio (Funai), aqui em Brasília, um deles me perguntou à queima roupa: ‘O que é que civilizado joga de avião e que queima o corpo da gente por dentro?’ Teria sido napalm? – indagou o indigenista missionário Egydio Schwade durante depoimento, na quarta-feira, 9, à Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara dos Deputados.
Foi um dos crimes mais cruéis cometidos pela ditadura militar contra um povo indígena, escreve Egon Heck, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). “De forma maquiavélica e cruel, o sistema foi invadindo o território, matando e subjugando seu povo, abrindo aos interesses do grande capital nacional e internacional. Ficam os monumentos à insanidade, como a hidrelétrica de Balbina, os buracos e rastro de destruição deixados pela mineradora Paranapanema e atual Taboca”, agrega.
O secretário do Cimi, Cleber Buzatto, lamentou, em depoimento à Comissão, que “a guerra santa do desenvolvimento a qualquer custo”, ontem e hoje, continua fazendo milhares de vítimas, em sua grande maioria anônima.
O manto de silêncio sobre esse massacre começa a ser desfeito. A presidente da Comissão, deputada Luiza Erundina, do Partido Social Brasileiro de São Paulo, solicitou à Funai e à Eletronorte o envio de dados sobre os Waimiri-Atroari. Segundo Schwade, o Exército está de posse de documentos que se referem a ações dirigidas a “assustar” os indígenas para que pudessem concluir a rodovia na época.
Fonte: ALC (15.05.2012)
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