domingo, 22 de abril de 2012

Água da transposição custará dez vezes mais que a média cobrada no país


Quatro anos e meio depois de iniciada a faraônica obra de transposição do Rio São Francisco, o governo federal admite que o custo da água saltará para 0,15 reais o metro cúbico (cerca de 0,08 dólares), quase dez vezes o preço médio cobrado no país. As águas desviadas do rio terão que ser bombeadas a uma altura de até 300 metros, o que consumirá mais energia e aumentará os custos do produto.

Em artigo publicado no Jornal da Pastoral da Terra, Rubens Siqueira lembra os dois jejuns de dom Luiz Cappio, bispo franciscano de Barra, na Bahia, em 2005 e 2007, contra a o projeto de transposição, para concluir: “não é que o bispo tinha razão”. Cappio tentou entrevistar-se com o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em duas tentativas frustradas.

Em outubro do ano passado, a Articulação Popular do São Francisco Vivo lançou manifesto, no dia se São Francisco, 4 de outubro, confirmando, em oito pontos, a veracidade das  críticas lançadas por especialistas e setores da sociedade contra o projeto. O preço da água da transposição terá que ser subsidiado, conta que será paga pelo contribuinte. Além disso, a previsão de custo da obra, de 5 bilhões de reais (cerca de 2,8 bilhões de dólares), teve que ser refeita, passando para 6,8 bilhões de reais.

O projeto gerará impacto em 50 comunidades quilombolas e nove povos indígenas. Também foi dilatado o prazo de entrega da obra, para 2015. Ainda falta concluir um terço do eixo leste, equivalente a 287 quilômetros, e mais da metade do eixo norte, de 426 quilômetros.

A Articulação diz que o projeto se presta a “transpor” recursos, e garantir água para o agronegócio e polos industriais do Pecém, no Ceará, e de Suape, em Pernambuco. Quando o projeto foi “vendido” à nação o argumento era que a água da transposição estava destinada para consumo humano. Ela servirá também para irrigação e indústrias.

Fonte: ALC (13.04.2012)

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